Sinto a tua falta como sempre, mas hoje é particularmente difícil porque o oceano tem estado a cantar para mim… A nossa canção… Quase consigo sentir-te ao meu lado enquanto escrevo esta carta, e consigo sentir o cheiro que me faz lembrar de ti.As tuas visitas são cada vez mais escassas e por vezes sinto como se a maior parte do que sou estivesse lentamente dissipar-se. À noite, quando estou sozinha, chamo por ti e, sempre que a minha dor parece ser a maior, encontras constantemente maneira de voltar. Conheces-me melhor do que o meu próprio coração.
Chegas de longe, no meio da neblina. Levanto a mão e toco suavemente o teu rosto; tu inclinas a cabeça e fechas os olhos. As minhas mãos são frias e a tua pele é macia. Interrogo-me se vais afastar-te, mas claro que não o fazes. Ficamos em silêncio os dois, cruzamos olhares e sem dizermos palavra, fica tudo dito! Mas depois, novamente a neblina começa a formar-se, um nevoeiro distante que nasce do horizonte envolve-nos. Sinto um nó na garganta e os meus olhos enchem-se de lágrimas porque sei que chegou a hora de partires. Sinto tristeza e solidão e a dor no meu coração, que permanecera silencioso só por um pequeno intervalo de tempo, torna-se mais forte quando me soltas. Dás uns passos atrás e desapareces no nevoeiro porque ele é o teu lugar e não o meu. Anseio por ir contigo, mas a tua única resposta é abanares a cabeça porque ambos sabemos que é impossível.
Dou comigo a tentar lembrar tudo acerca de ti. Mas depressa, sempre depressa demais, a tua imagem desaparece. Porque te afastaste? Porque razão fomos obrigados a separar-nos? Não conheço as respostas para estas perguntas, por mais que me esforce por compreender. A razão é evidente, mas a minha mente obriga-me a rejeitá-la e sou atormentada pela ansiedade durante todas as minhas horas de vigília. Queria acreditar que estaríamos juntos para sempre.
Sinto-me perdida sem ti. Sinto-me sem alma, uma vagabunda sem casa, um pássaro solitário em voo para lado nenhum. Sinto tudo isto, e não sou absolutamente nada...
A vida passa por mim como a paisagem do lado de fora da janela de um carro. Respiro e como e durmo como sempre, mas parece não haver qualquer grande objectivo na minha vida que necessite uma participação activa da minha parte. Continuo simplesmente ao sabor da corrente; não sei para onde vou ou quando lá chegarei. Nem mesmo o trabalho alivia a dor.
Penso em ti, sonho contigo, invoco-te quando mais preciso de ti. É tudo o que posso fazer, mas para mim não é suficiente. Nunca será, mas que mais me resta fazer? Se aqui estivesses dir-mo-ias… Mas até isso me roubaram! Tu sabias sempre as palavras certas para apaziguar a minha dor. É possível que saibas como me sinto sem ti? Quando sonho gosto de pensar que sim!
